Mundo questiona a segurança das usinas nucleares de Angra

Uma reportagem do jornal britânico The Guardian, um dos mais importantes da Europa, questiona a segurança das usinas nucleares de Angra dos Reis depois que foram registrados dois ataques a caixas eletrônicos nas vilas residenciais de Praia Brava (em Angra dos Reis) e Mambucaba (em Paraty). Para o jornal, o uso de explosivos em ações contra os bancos, localizados tão próximo das usinas, seria ao menos um motivo a mais de ‘preocupação’.

— Há muitas preocupações sobre o risco de ataques a plantas nucleares pelo mundo todo — disse o pesquisador da Universidade de Londres, Paul Dorfman.

Ainda segundo Dorfman, mesmo que os explosivos tenham sido usados distante das usinas, há sim motivo para reforçar a segurança no local. Em outro trecho da reportagem, o pesquisador lembra que a estrutura de proteção do reator da usina Angra 1 seria ‘menos sofisticada’ que a de unidades mais novas, como a de Angra 2. Angra 1 começou a ser operada em 1982 e passou por uma grande troca de equipamentos em 2013.

O vereador angrense Thimoteo Cavalcanti (PR) foi o único político local ouvido pelo repórter Dom Philips, que fica baseado no Rio de Janeiro. Thimóteo diz que os ataques à Praia Brava foram uma situação ‘inacreditável’. Ele defendeu que a segurança do complexo nuclear de Itaorna deva ser feita pelas Forças Armadas, por tratar-se de uma área de segurança nacional. A Eletronuclear, empresa que administra o complexo onde estão as usinas, também disse em nota ao jornal britânico, que a segurança no local deve ser responsabilidade federal.

Ataques — A explosão de dois caixas eletrônicos na Praia Brava foi no último dia 8 de janeiro. Dez homens armados invadiram a vila, onde moram exatamente funcionários das usinas, renderam os seguranças, assaltaram pessoas que saíam de um evento no Clube Náutico e em seguida explodiram dois caixas (um do Santander e outro da cooperativa de crédito Sicoob). Dinamite teria sido usada para explodir os caixas. Na fuga os marginais ainda queimaram dois carros usados na ação, ambos roubados. A fuga foi pelo mar, exatamente como aconteceu em dezembro, em ataque semelhante na vila residencial de Mambucaba, outro condomínio fechado e com segurança privada onde moram funcionários das usinas.

— Ninguém jamais imaginou que algo assim pudesse acontecer — relata um morador de Praia Brava ao jornal estrangeiro.

Admitindo que não tem condições de garantir a segurança no local, a Eletronuclear e as instituições bancárias decidiram suspender as atividades com dinheiro nas vilas residenciais. Um vitória dos marginais, sem dúvidas.

— O objetivo é garantir a segurança e a integridade dos trabalhadores da central nuclear e dos moradores e frequentadores das vilas — diz o comunicado da própria empresa de energia.

Atentado — Antes de encerrar o relato, o jornalista inglês ainda lembra que, em agosto do ano passado, a turista Eloise Dixon foi baleada na região da Água Santa, em Angra, após entrar por engano na comunidade. Quase todos os envolvidos neste crime estão presos ou foram mortos.

Ouvido pelo The Guardian, o delegado Maurício Mendonça, da Delegacia de Roubos e Furtos do Estado, explicou que os ataques ao Santander são mais comuns porque a segurança dos caixas eletrônicos do banco seria menos sofisticada. Ele também deu pistas sobre a atuação dos bandidos que atuam neste tipo de ação.

— É uma gangue especializada neste tipo de roubo, que age em outros estados também e tem o suporte de grupos menores no Rio de Janeiro — explicou Mendonça.

A notícia da insegurança em Angra dos Reis, portanto, ultrapassou as fronteiras do país mais uma vez.

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Publicado antes na edição 204 do jornal Tribuna Livre.

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Para ler a reportagem original do jornal britânico:

https://www.theguardian.com/world/2018/jan/12/brazil-nuclear-reactor-armed