Prefeito de Angra entra em campo para tentar dar fim à greve dos metalúrgicos do estaleiro Brasfels
mai 25th, 2010 | Por Klauber Valente | Categoria: EconomiaA greve dos metalúrgicos do estaleiro Brasfels, que completou hoje o 22º dia, foi um dos temas dos debates entre os vereadores de Angra dos Reis na sessão ordinária realizada nesta terça-feira, 25. A maioria dos parlamentares manifestou-se sobre o movimento, que julgam ainda estar distante de um desfecho. Boa parte dos parlamentares tem acompanhado, mesmo à distância, o desenrolar do movimento grevista e apoiaram, a princípio, as razões da paralisação, exortando o grupo Keppel Fels a ceder nas negociações.
O vereador Aguilar Ribeiro (PCdoB), vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, foi mais duro em seu posicionamento. Tão duro quanto tem sido nas assembleias diárias realizadas na porta do estaleiro. Ele responsabilizou ‘forças ocultas’ e interesses político-eleitorais pelo não avanço nas negociações e chamou de ‘jogo sacana’, a tentativa de enfraquecer os trabalhadores do estaleiro angrense, visando, mais à frente, a derrota do atual grupo dirigente do Sindicato da categoria. Para Aguilar, estaria em jogo, inclusive, interesses nacionais que visam enfraquecer os estaleiros do Rio de Janeiro, facilitando a concorrência com grupos já instalados no Nordeste e no Rio Grande do Sul, com apoio decisivo, lembrou, do Governo Federal. Para o sindicalista, a solução do impasse em Angra precisa de arbitragem urgente da Petrobras, dona dos maiores contratos com o Keppel Fels em Angra. Ele elogiou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) por ter intervido diretamente na greve de 1996, dando fim à paralisação àquela época.
— É um problema de todos. A empresa não deixou alternativa aos trabalhadores, a não ser a greve — disse Aguilar.
Em discurso adjacente ao de Aguilar, o vereador José Antônio (PCdoB), lembrou que o comércio angrense já está sentindo os efeitos da falta do ‘adiantamento’ quinzenal e teme que, muito provavalmente, o pagamento mensal que deveria ser feito na próxima sexta-feira, 28, não seja efetuado também.
— A partir da semana que vem, a cidade vai estar falindo. O risco é de quebradeira geral. É um efeito dominó que alguns ainda não perceberam. O Sindicato tem disposição para resolver. Este problema é de todos, desde o dono da quitanda até o presidente Lula, que quer vir aqui entregar a plataforma em setembro e pode haver atrasos — disse José Antônio, que defendeu também que o prefeito ameaçasse a empresa de cancelar os incentivos fiscais concedidos ao grupo asiático.
Aguilar informou que nesta quarta-feira, 26, o prefeito de Angra, Tuca Jordão (PMDB), terá encontro com os dirigentes do grupo Keppel Fels e, possivelmente, da própria Petrobras, para tentar costurar um acordo que ponha fim à paralisação. Além do desconto integral dos 22 dias parados, que a categoria rejeita, os itens da pauta econômica ainda não foram superados. A empresa acena com 8% de reajuste salarial, admite pagar uma Participação em Lucros de R$ 1.400,00 e reajustaria o ticket-alimentação para R$ 180 mensais. Fontes informais dão conta de que ela concordaria em abonar 20% das faltas causadas pela greve. Um ponto da pauta de negociação ainda intocado refere-se aos critérios de promoção no interior do estaleiro, especialmente nas funções primárias.
Uma assembleia decisiva está prevista para a quinta-feira, 27, quando os trabalhadores serão informados do esforço de negociação empreendido pelo prefeito angrense, lideranças políticas de vários matizes ideológicos e representantes de trabalhadores, como os dirigentes da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) no Rio, que têm atuado com dedicação na tentativa de desobstruir as negociações.
Siga o Tribuna Livre no twitter. www.twitter.com/tribunalivre


INACREDITÁVEL como ainda o Prefeito não cancelou os “incentivos fiscais” do grupo Keppel. Sabemos que a empresa tem regalias para estar aqui em nossa cidade, com isenção de impostos… Nós, cidadãos Angrenses que estamos em dia com nossos impostos, nos sentimos envergonhados com essa situação! Pensamos que não é para se ameaçar a empresa, é para se efetivamente tomar atitudes sérias e enérgicas para que esse grupo ceda às negociações e não prejudique ainda mais os trabalhadores. Os metalúrgicos estão prejudicados em demasia, não podemos mais tolerar essa demora e a inércia de nossos governantes em resolver essa questão. Temos que pressionar a empresa a qualquer custo! Que seja pela “quebra” de contrato que a empresa possui não pagando os impostos HÁ ANOS… Ou por outro caminho que a prefeitura tenha para negociar com o Grupo.
Onde estão as cestas básicas que tanto se falou em distribuir para os trabalhadores? Mesmo que uma medida assistencialista, ajuda aos que tem fome e não possuem o que comer em casa… A prefeitura poderia articular com a Ampla para que se conceda um prazo para os pagamentos das contas de luz atrasadas. O que se tem feito pelo trabalhador que está em casa há inacreditáveis 23 dias sem perspectivas? Não somos nós cidadãos que temos que pensar em medidas de alívio para a população, mas sim os que são pagos com nossos impostos, é que têm essa obrigação…!
Se a empresa pode jogar pesado com os metalúrgicos, por que nós não podemos com eles? O que tememos? Por que temos que ficar à mercê desse grupo estrangeiro que só faz ganhar dinheiro em nossa cidade…? Por que nós Angrenses é que temos que ficar prejudicados nesse “Jogo” político de interesses? Sabemos que o estaleiro tem condições de atender a reivindicação dos Trabalhadores, pela quantidade de obras que possui em seu canteiro.
Não se pressiona a empresa, não se pressiona a Petrobrás para que ajudem a “tomar as rédeas” da situação… Mas pressionados estão os Metalúrgicos. Como sempre assistiremos mais uma vez “a corda arrebentar” do lado mais fraco da história.
Façamos algo, ainda em tempo para que a população de Angra não se prejudique ainda mais.
Grata,
Zaina Patrícia Carvalho